Namoro rebote: engatar uma relação logo depois de terminar outra dá certo?

Uma pessoa que você segue nas redes sociais posta uma declaração de amor para alguém — no entanto, há poucas semanas ou meses, ela estava comprometida com outra. Ou seja: não apenas rompeu com o relacionamento antigo, como engatou um novo envolvimento em um período curto de tempo. Isso é motivo de espanto? Para muitos, uma movimentação intensa como essa na vida amorosa é considerada uma atitude irresponsável. Para outros, o tempo é indiferente — afinal, a vida continua depois do término e, uma hora ou outra, a próxima pessoa vai chegar. 

Em post no Instagram de Universa, seguidores falaram sobre suas experiências. “Se a relação terminou de uma forma clara e bem resolvida, pode ser que dê certo. Caso contrário, eu não acredito que funcione. Comigo não rolou”, disse uma.

Em compensação, outros garantem que não existe fórmula. “Eu sempre fui contra isso, mas cuspi e caiu em cima da minha testa. Comecei um relacionamento três meses depois de terminar outro de quatro anos”, contou outra.

Para tomar a decisão, é preciso estar bem resolvido.

Em entrevista, a psicóloga Névia Rocha explica que diante de todo término existe um período de luto. “As pessoas sentem tristeza, saudade, dor. Por isso, antes de entrar em uma nova relação, é importante avaliar até que ponto você está realmente interessado no outro ou só está usando a novidade como uma ferramenta para se anestesiar”, comenta. No segundo caso, o compromisso costuma ser chamado de “namoro rebote”, já que é uma consequência do anterior.

Essa tentativa de escape aconteceu com a redatora Thais P., que hoje tem 25 anos. Aos 20, conheceu um rapaz por quem se apaixonou perdidamente. “No dia em que nos conhecemos, a conexão foi surreal. Em 24 horas, ele me apresentou para colegas de trabalho e para a mãe. Eu já cheguei em casa no dia seguinte com a certeza de que iríamos ficar juntos”, conta. O namoro durou três meses: com o tempo, ele foi ficando mais distante e terminaram.

Mas o meu primeiro impulso foi de que precisava sentir de novo essa intensidade louca. Conheci várias pessoas em um período curtíssimo de tempo, só que com nenhuma delas foi a mesma coisa. Nessa ânsia, decidi dar uma chance a um rapaz do passado, que demonstrava interesse em mim há tempos.

Logo a situação evoluiu para um namoro. “Eu aceitei porque achei que seria melhor ser ‘a pessoa que gosta menos’, que assim não sofreria tanto caso não desse certo”, explica. Na prática, foi um desastre: em seis meses, ela já não suportava mais a presença do namorado.

“Até o cheiro dele me irritava, a ponto de eu presenteá-lo com o mesmo perfume que o meu ex usava. Hoje vejo o quanto fui imatura”, reflete. Em questão de semanas o compromisso acabou e Thais garante ter aprendido lições que coloca em prática até hoje.

Se a relação foi tóxica, o cuidado deve ser dobrado.

Névia, que trabalha com vítimas de violência doméstica, ressalta as particularidades nos casos de mulheres que já passaram por esta situação.

“As relações abusivas geram dependências afetivas. Por isso é especialmente importante, antes de embarcar em um novo envolvimento, analisar se ele não é apenas uma fuga a fim de tampar os buracos deixados pelo namoro ou casamento anterior. Se for o caso, a pessoa em questão pode ser maravilhosa, mas as chances de dar certo são baixas”, alerta.

Beatriz B. tem 24 anos, é assistente de RH e já se viu neste cenário. “Comecei a namorar aos 15 anos. Ainda na adolescência fomos morar juntos e, ao longo do tempo, as coisas começaram a dar errado. Ele me traía, era manipulador. Eu, muito envolvida, achava que precisava passar por isso para ter uma família. Ao todo, ficamos juntos por oito anos”, relembra. A situação chegou ao fim depois de uma agressão física.

Apenas 40 dias depois de sair da casa onde vivia com o ex-namorado, entrou em uma nova relação. “Foi um alívio para mim. Nós vivemos momentos muito bons. Ele era estudioso, trabalhador, bem-humorado e me tratava muito bem. Estava disposto a fazer dar certo”, conta.

No entanto, ela percebeu, em três meses, que não estava preparada para se comprometer ainda. “Nessa fase, continuava com muitos sentimentos pelo meu ex. Estava me reconstruindo e resgatando minha identidade. Era como se estivesse doente: sabia que ainda ia levar um tempo para me recuperar”, resume. Nem tudo é risco: para alguns, a aposta vale a pena A psicóloga Alessandra Augusto ressalta que nem tudo, no novo amor, é negativo. “É inegável que existe uma melhora da autoestima: a pessoa faz novos laços sociais, passeia, se distrai, é elogiada. Tudo isso ajuda a renovar as esperanças”, diz. Para ela, desde que exista força de vontade em não repetir os mesmos erros e responsabilidade afetiva — de deixar claros os sentimentos e alinhar as expectativas de cada um — a experiência pode funcionar bem.

Yasmin Barbosa, 23 anos, é atendente comercial e mora em Butiá (RS). Ela havia terminado um namoro de três anos quando conheceu o companheiro atual. “Era uma fase nova, de ampliar os meus contatos. Estava solteira há apenas três meses quando conheci o Vagner e começamos a ficar. De cara, ele já demonstrou sentimentos por mim. Eu, no entanto, tinha receio de começar algo novo àquela altura”, conta.

Além da própria relutância, a ideia não foi aprovada pelos amigos. “Eles queriam que eu continuasse na vida de solteira. Mas fui aos poucos sendo conquistada. Como já não tinha sentimentos pelo meu ex, decidi me permitir e não me arrependo. Estamos juntos há seis meses e temos uma relação muito tranquila”, diz.

FONTE:

uol.com.br /

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