Chá de sumiço funciona?

Técnica divide opiniões

“Some que ele vem atrás”: se dependesse da música cantada por Anitta e Marília Mendonça, reconquistar alguém seria simples. Bastaria dar um “chá de sumiço” para que a outra pessoa passasse a valorizar o que perdeu e, consequentemente, reaparecesse com outras intenções.

Essa teoria, inclusive, é disseminada por alguns coaches de relacionamento, que chegam a vender cursos nos quais prometem ensinar, principalmente às mulheres, a hora certa de “sumir”, para prender o interesse do outro. Mas, na prática, dar um perdido funciona bem? O assunto divide opiniões.

Sair de cena pode ser uma furada Para Carol Bugari, psicóloga junguiana, desaparecer pode ser um tiro no pé. “É uma estratégia muito relacionada a um jogo de poder. Ela parte do princípio de que dificultar a vida do outro torna você uma pessoa mais cobiçada. Se for apenas um jogo de sedução, de conquista, pode ter os resultados esperados. Mas se a ideia é desenvolver um relacionamento mais profundo, não é a melhor das opções”, opina.

Suzanna Luiz é comissária de voo, tem 33 anos e mora em Ribeirão Preto (SP). Ela acredita que deixar a outra pessoa esperando por uma resposta ou mudar o tratamento do dia para a noite é um forte sinal de desinteresse. “Quando estamos gostando de alguém, as coisas acontecem naturalmente, a conversa flui. Normalmente quem some do nada já demonstra, desde o princípio, que não quer algo sério”, afirma.

Ela diz isso com base em experiências do passado: no fim de 2020, conheceu uma mulher na academia onde treina, e passaram três meses se falando pela internet diariamente. “Isso aconteceu no final do ano. Eu peguei covid-19, passei o Natal isolada, longe da minha família. Ela me ligou, demonstrou preocupação”, relembra. No entanto, depois de saírem e darem o primeiro beijo, o comportamento mudou.Ela diz isso com base em experiências do passado: no fim de 2020, conheceu uma mulher na academia onde treina, e passaram três meses se falando pela internet diariamente. “Isso aconteceu no final do ano. Eu peguei covid-19, passei o Natal isolada, longe da minha família. Ela me ligou, demonstrou preocupação”, relembra. No entanto, depois de saírem e darem o primeiro beijo, o comportamento mudou.

“Ela não me bloqueou, mas deixou de me responder e de me seguir nas redes sociais”, conta. Pela forma como aconteceu, Suzanna soube que era hora de partir para a próxima. “Eu tinha consciência de que não tinha feito algo errado. Ela simplesmente não tinha gostado do nosso encontro, por isso se afastou. Mas sei que, se não tivesse a autoestima boa, poderia ter ido atrás, porque desaparecer sem dizer nada mexe com o nosso ego”, reflete.

E por que funciona em alguns casos?

A experiência de Lubia Lira, assistente financeiro, de 21 anos, que mora em São Paulo (SP), foi bastante diferente. Ela conheceu através do Tinder um rapaz, com quem começou a sair com certa frequência. “Passamos um ano saindo casualmente, mas sem conversar sobre as nossas expectativas de relacionamento”, conta. Quando percebeu que estava desenvolvendo sentimentos, decidiu pressionar. “Quando coloquei ele contra a parede, houve um recuo. Ali, decidi que não nos veríamos mais”, afirma.

A promessa, no entanto, não foi cumprida. Pouco tempo depois, eles voltaram a se falar — só que, desta vez, de uma forma mais fria. “Ficou uma coisa morna, eu estava decepcionada. Até que um dia nos encontramos, sem querer, em um aeroporto, no Rio de Janeiro. Ele estava esperando um voo internacional e eu, chegando na cidade. Jantamos juntos., foi um clima bem de amizade”, conta.

Depois dessa coincidência, o rapaz de quem gostava decidiu investir na relação. “Ele me mandou mensagem, me convidando para ir a uma exposição. Só que ali eu percebi que não queria ser repetitiva, tentar algo de novo. Então, fiquei sem responder algumas vezes. Achava que, se algo fosse acontecer, teria que ser pelo esforço dele”, relembra. Por causa do “chá de sumiço”, eles passaram um ano sem conversar. “Nesse período, ele apenas reagia a alguns dos meus stories no Instagram, nada que evoluísse para uma conversa”, diz.

Quando eles completaram um ano afastados, ela recebeu uma mensagem no Whatsapp. “Eu respondi sem muita abertura, então ele questionou se iríamos ficar só naquela conversinha. Foi um diálogo tenso, cheio de textões sobre o que tinha acontecido no passado”, conta. Mas, no final, optaram por se encontrar e foi uma experiência muito intensa. “Parecia um primeiro encontro de novo. Desde então, começamos a namorar e estamos morando juntos”, resume.

Para a psicóloga Alessandra Augusto, em casos como o de Lubia, o “chá de sumiço” pode funcionar. “Um dos riscos é passar a impressão de desinteresse. Com isso, o outro lado pode desistir. Mas também um termômetro para saber em que pé a relação está e se a vontade de ficar junto é recíproca”, defende.

Segundo a profissional, outra situação em que esse desaparecimento de algumas horas ou dias pode funcionar é quando a pessoa coloca os estudos, o trabalho, os amigos ou a família como prioridade — e por isso só olha o celular de vez em quando e não é sempre que está disponível para sair. “Isso pode tornar a pessoa mais interessante aos olhos do pretendente, já que ele não se sente o único objeto de desejo dela”, explica.

“Chá” só funciona para quem tem a autoestima elevada

A psicóloga Carol Bugari complementa enfatizando que cortar momentaneamente as relações pode ser uma boa, contanto que a pessoa que se propôs a isso esteja bem resolvida. “Se for uma tentativa de fazer o outro correr atrás, provavelmente o sumiço vai gerar angústia, ansiedade, na busca por um resultado”, explica. O ideal, no seu ponto de vista, seria entender que a separação aconteceu por uma insatisfação e que, se o outro mudar de ideia, ela irá avaliar o que pode ser feito a partir dali. “Se não, entender que a melhor opção é seguir em frente”, diz.

FONTE: uol.com.br /

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